Essencial para o bem estar social, a acessibilidade não tem recebido a atenção devida

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São 5h30 da manhã quando a aposentada Helena Ribeiro (77 anos) começa a se arrumar para mais uma visita ao médico. De seu apartamento, localizado no bairro do São Caetano, ao hospital na Barra, a acessibilidade tem se mostrado o maior entrave para o aumento de sua qualidade de vida. A locomoção é o maior problema.

O calçamento encontrado na rua Aristóteles Góes e na Estrada de Campinas, em São Caetano, são irregulares, com desnivelamento e buracos. O ponto de ônibus situado em frente a uma loja de materiais de construção do bairro, é esburacado e não contém informações sobre roteiros de ônibus passantes pela localidade. Sair do bairro se torna um grande desafio.

Depois de 15 minutos de espera, Helena consegue embarcar em um coletivo que a deixará na porta do hospital às 7h15. Não é fácil para a idosa subir os degraus e conseguir viajar sentada em um ônibus que nunca vem vazio. “As pessoas deveriam entender que elas também serão velhas um dia e dar a prioridade para quem necessita nos ônibus”, critica a idosa.

A falta de educação dos passageiros não é a única crítica de Helena, ela reclama do péssimo atendimento prestado pelos motoristas e cobradores aos idosos. “Os motoristas devem passar por uma reciclagem e aprender a arrastar o carro apenas quando nós já estejamos acomodados”.

Mesmo desembarcando em um bairro nobre, a idosa encontrou as mesmas dificuldades enfrentadas na periferia. As calçadas de pedras portuguesas são totalmente irregulares e o ponto de ônibus localizado na porta do hospital não contém as informações necessárias.

Helena também já ficou presa na porta de um coletivo por conta da pressa do motorista: “Vinha do Campo Grande em um ônibus que ia para o bairro do Marechal Rondon, quando no momento que desembarcava do coletivo, fiquei com a minha perna presa na porta, piorando problemas de saúde que já tinha sentido”, relata.

Assim como Helena, são milhares os casos de idosos e aposentados que tem seus direitos de mobilidade não cumpridos. De acordo com a Previdência Social, a capital baiana abriga pouco mais de 343 mil aposentados e a cidade está longe de atender as necessidades dessas pessoas.

As dificuldades para sair de casa e enfrentar os problemas ocasionados pela falta de estrutura em mobilidade urbana em Salvador, tem feito com que alguns idosos optem por não sair de casa ou deslocam-se utilizando os serviços dos taxistas, como é o caso da aposentada Joanice Araújo (74 anos). “Eu não saio de casa senão for de táxi, porque me sinto totalmente vulnerável no ônibus, não sei a intenção das pessoas que estão ali dentro, além de ser totalmente desconfortável”.

No transporte público por ônibus, os idosos têm direito ao assento especial reservado, desembarque pela porta dianteira e acesso gratuito a partir dos 65 anos.

Grupo de trabalho do Crea se dedica a acessibilidade

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A falta de acesso a equipamentos públicos motivou o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), a instituir um grupo de trabalho dedicado a acessibilidade. Reunindo profissionais, entidades e instituições, os trabalhos do GT se destinam a identificar e notificar os responsáveis pelos equipamentos inacessíveis, desde o ano de 2004.

No dia 19 de dezembro de 2000 foi instituída a lei n° 10.098, que estabeleceu normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação.

De acordo com o arquiteto e engenheiro civil Giesi Nascimento a legislação se encontra desatualizada: “Percebemos que tem sido feito muito pouco pelos idosos, deficientes físicos, auditivos e visuais”, declarou.

Para Nascimento é importante salientar que a acessibilidade é um bem universal: “Não são apenas as pessoas com deficiência física que necessitam de uma cidade acessível, todos nós precisamos. Rampas, calçada bem niveladas, coletivos de piso baixo são necessidades que beneficiam toda a população.”, afirmou.

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Um comentário em “Acessibilidade é um desafio para os idosos em Salvador

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